Charles Oliveira chega ao UFC 335, em dezembro, com uma motivação que extrapola o cinturão BMF em disputa diante de Diego Lopes. Em entrevista exclusiva à equipe de reportagem da Ag Fight, o ex-campeão peso-leve revelou que carrega consigo a memória de Allan Nascimento, o “Puro Osso”, companheiro de equipe morto recentemente, como combustível emocional para o confronto que marca seu retorno ao octógono.
Luto transformado em propósito
O maior finalizador da história do UFC admitiu que a dor pela perda de Allan ainda é recente e dolorosa dentro da academia. Segundo Charles, o amigo não era apenas um parceiro de treino, mas uma presença espiritual em sua trajetória. “O Allan era um anjo que Deus colocou na minha vida”, disse o brasileiro, reforçando que a ferida “vai ser eterna” entre os integrantes da equipe. Apesar disso, o lutador afirma ter encontrado nessa dor uma força adicional para encarar o desafio contra Diego Lopes, descrevendo-se como “faminto” para a disputa do cinturão BMF, marcada para dezembro.
Recusa à luta contra Tsarukyan
O impacto da tragédia não ficou restrito ao campo emocional. Charles revelou que o plano inicial previa um confronto contra Arman Tsarukyan em setembro, compromisso que acabou sendo assumido por Maurício Ruffy diante do lutador armênio. Diante das críticas recebidas por essa decisão, Do Bronx foi categórico ao explicar que nenhuma oferta, por maior que fosse o retorno financeiro ou esportivo, o faria competir naquele momento de luto. Para o brasileiro, a posição consolidada que ocupa na carreira permite escolhas que não dependem mais da necessidade de provar valor a cada chamada.
Homenagem que atravessa a equipe
Allan Nascimento era reconhecido na Chute Boxe Diego Lima não apenas pelo desempenho técnico, mas pela liderança que exercia nos bastidores e pela postura nos treinamentos. Sua morte repentina gerou comoção generalizada no meio do MMA, com homenagens de atletas, treinadores e torcedores nas semanas seguintes ao ocorrido. Em reconhecimento ao legado do peso-mosca, o Instituto da equipe passou a levar o nome de Puro Osso, perpetuando sua influência na formação de novos talentos do esporte.
O que está em jogo em dezembro
A disputa entre Charles Oliveira e Diego Lopes pelo cinturão BMF chega carregada de simbolismo. Para Do Bronx, trata-se de uma oportunidade de ampliar um legado já consolidado no esporte, mas agora dividido com a memória de um amigo. O próprio lutador reconhece que a cicatrização emocional não acontecerá da noite para o dia, mas garante que pretende entrar no octógono “mais consciente”, como Allan costumava pregar, transformando a dor em um motor adicional rumo a mais um capítulo de sua carreira no Ultimate.