A minissérie de suspense Profundezas se tornou neste sábado (10) o título mais assistido da Netflix em 83 países, de acordo com levantamento da plataforma de monitoramento FlixPatrol. A produção de ficção científica, ambientada no litoral canadense, também chegou com recepção positiva da crítica especializada, somando 82% de aprovação no Rotten Tomatoes logo após a estreia.
Com apenas seis episódios, a trama construiu uma narrativa enxuta e cheia de mistérios, o que ajuda a explicar a rápida adesão do público global. A história se passa na fictícia vila costeira de Snook's Arm, na província de Terra Nova e Labrador, e acompanha o pescador Calvin Penney, vivido por Josh Hartnett, e a pesquisadora marinha Fonda Howander, interpretada por Mackenzie Davis, enquanto investigam fenômenos estranhos que afetam a água, o clima e a rotina dos moradores.
Um protagonista marcado pelo passado
Calvin carrega o peso da perda do pai no mar, ocorrida décadas antes dos eventos da série. Em entrevista ao Tudum, Josh Hartnett detalhou a construção psicológica do personagem: segundo o ator, Calvin é "um homem que enfrentou uma série de reveses e tragédias na vida desde muito jovem" e que "sentia que carregava uma maldição", vivendo com a sensação de estar "totalmente à deriva". Essa carga emocional atravessa toda a investigação e dá à trama um tom mais introspectivo do que o de um simples thriller de monstro.
O mistério por trás da criatura e do gelo
A ameaça que aterroriza Snook's Arm não tem origem sobrenatural. Trata-se de uma lula-gigante fêmea, espécie das águas profundas do Atlântico Norte que, segundo a personagem de Mackenzie Davis, apresenta traços evolutivos ancestrais e inteligência incomum, sem equivalente exato nos registros da biologia marinha tradicional. O animal se aproxima da costa não por agressividade, mas para proteger seu território reprodutivo durante uma migração fora do padrão.
O adoecimento da população, com sintomas de desidratação súbita e delírio, tinha explicação igualmente biológica: o imenso bloco de gelo que flutuava no porto funcionava como ninho da fêmea, guardando fluidos e substâncias ligadas aos ovos. Com o aquecimento das correntes costeiras, esse material entrou em decomposição e contaminou a água consumida pelos moradores.
O desfecho e o futuro da franquia
No clímax da série, Calvin evita um ataque militar com explosivos ao rebocar o iceberg para águas mais profundas e frias. Ainda assim, a lula não sobrevive: a espécie tem reprodução semélpara, processo em que a mãe para de se alimentar e esgota suas reservas até morrer logo após liberar a ninhada. Calvin, seus três filhos e a irmã sobrevivem à crise, e a tentativa do empresário Jim Crocker de forçar a evacuação da vila, com o objetivo de liberar terras para exploração mineral, perde força com o fim do perigo imediato.
A cena final, com Calvin e o filho Wade avistando novos icebergs no horizonte, funciona como aviso sobre os efeitos do aquecimento dos oceanos, que empurra mais formações árticas para o sul - cada uma delas, potencialmente, abrigando novas espécies desorientadas.
A Netflix concebeu Profundezas como minissérie fechada, e o showrunner Jesse McKeown afirmou que o arco dos personagens principais foi encerrado por completo. Ainda assim, o histórico da plataforma mostra que produções limitadas podem ganhar continuidade diante de grande audiência, como ocorreu com O Monstro em Mim. Por ora, a Netflix não confirmou uma segunda temporada para o título.